A Casa Rosa, um abrigo noturno em São José, Santa Catarina, tem se tornado um farol de esperança para indivíduos que enfrentam a dura realidade da situação de rua. Eugênio Santos, um engenheiro civil de 49 anos, é um exemplo notável dessa realidade. Após chegar ao estado com o sonho de trabalhar em sua área de formação, ele se viu vítima de um golpe financeiro que o deixou sem dinheiro e sem moradia. Por cerca de dois meses, Eugênio dormiu nas ruas e chegou a experimentar drogas como uma forma de lidar com a vulnerabilidade extrema, uma experiência que ele hoje reconhece como prejudicial e distante de sua identidade.

Atualmente, Eugênio encontra na Casa Rosa um ponto de apoio crucial para sua reorganização. O abrigo, mantido pela Secretaria de Assistência Social de São José, permite que ele tenha um local para dormir, jantar, tomar banho e descansar à noite. Durante o dia, ele trabalha em uma serralheria e nos fins de semana atua como freelancer em um restaurante. Com as economias que junta, seu objetivo é alugar uma kitnet nas próximas semanas e retomar sua vida, um objetivo que ele considera fundamental após ter sido o primeiro de sua família a se formar em engenharia civil com muito esforço financeiro.

A Casa Rosa tem capacidade para acolher 40 pessoas por noite e, em geral, opera com sua lotação máxima. Em situações de frio intenso, quando a demanda aumenta, a Secretaria de Assistência Social expande o atendimento com mais 15 vagas. O funcionamento do abrigo, localizado no bairro Praia Comprida, representa um investimento mensal de R$ 70 mil para a Prefeitura de São José, cobrindo custos como aluguel, alimentação, mobiliário, roupas de cama e banho, além de despesas com energia, água e equipe profissional.

Janini Fernanda Gomes da Rocha Araújo, coordenadora da Casa Rosa, destaca que aproximadamente metade dos acolhidos está empregada, utilizando o local como um suporte temporário para reconquistar a autonomia. A rotina no abrigo envolve acolhimento noturno e, pela manhã, os usuários buscam oportunidades de trabalho, juntam recursos e, eventualmente, conseguem alugar um novo lar. A coordenadora relata inúmeras histórias de superação ao longo de seis anos, incluindo empresários que perderam tudo durante a pandemia, mas que conseguiram se reerguer. O local também conta com regras de convivência focadas no respeito e não permite a entrada de pessoas sob efeito de álcool ou outras substâncias, conforme explica Guilherme Bosquetti Mateus, diretor da Alta Complexidade da Secretaria de Assistência Social. A assistente social Marla Sacco Martins reforça que a situação de rua é multifatorial, frequentemente iniciada pela perda de emprego e moradia, com o uso de substâncias aparecendo como consequência da vulnerabilidade.