A Escola de Oleiros Joaquim Antônio de Medeiros, localizada em São José, Santa Catarina, é um símbolo vivo da preservação cultural e da resiliência humana, completando mais de três décadas de dedicação ao ofício da cerâmica artesanal. Fundada em 30 de novembro de 1992, a instituição é pioneira na América Latina ao oferecer ensino municipal do ofício, com o objetivo de resgatar, valorizar e transmitir as técnicas tradicionais da louça de barro, uma atividade intrinsecamente ligada à herança açoriana e à formação da identidade josefense.

A tradição da louça de barro em São José remonta ao século 18, quando famílias açorianas se estabeleceram na região, consolidando essa atividade como um pilar econômico e cultural. Ao longo de mais de 30 anos, a Escola de Oleiros tem desempenhado um papel crucial em manter esse conhecimento ancestral vivo, solidificando o reconhecimento de São José como a Capital da Louça de Barro de Santa Catarina. A instituição oferece gratuitamente cursos em diversas modalidades, como roda de oleiros, modelagem figurativa e modelagem diversa, conectando novas gerações a um saber passado de mão em mão.

Mais do que um centro de aprendizado técnico, a escola funciona como um espaço de acolhimento e convívio. Dona Tetê, aos 92 anos, é um exemplo inspirador de como a arte e a comunidade podem transformar vidas. Após enfrentar a perda de três filhos, ela encontrou nas aulas da Escola de Oleiros uma oportunidade de sair de casa, interagir, aprender novas habilidades e vivenciar momentos de alegria e aprendizado, rompendo o isolamento e encontrando um novo propósito.

Para sua filha, Márcia, acompanhar Dona Tetê nesse processo tem um significado profundo. Ver a mãe ativa, socializando e demonstrando interesse em aprender e se divertir, é motivo de imensa felicidade e alívio. "É muito especial viver isso com ela. Depois de tudo o que minha mãe passou, ver que ela continua aprendendo, se divertindo e convivendo com outras pessoas me deixa muito feliz", relata Márcia, que enxerga nessas atividades compartilhadas a criação de novas lembranças e momentos de superação para a família. A Escola de Oleiros, portanto, não apenas molda o barro, mas também as histórias de vida de seus frequentadores, reafirmando seu valor como patrimônio cultural vivo de São José.