A Casa de Cultura Nésia Melo da Silveira, em São José, Santa Catarina, recebe a exposição "Bordados de Luta", uma iniciativa artística que transforma a arte do bordado em um poderoso veículo de memória, afeto e resistência. A mostra tem como objetivo central homenagear e dar visibilidade a doze mulheres negras que, com coragem, dignidade e protagonismo, foram fundamentais na construção histórica e cultural do município. Cada peça exposta carrega narrativas, palavras e símbolos que exaltam a força e a contribuição dessas figuras históricas.
Realizada através de uma parceria entre o Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) e a Secretaria Municipal de Cultura e Turismo da Prefeitura de São José, a exposição convida o público a uma profunda reflexão sobre temas cruciais como ancestralidade, pertencimento, educação, cultura e transformação social. Antes de sua chegada à Casa de Cultura, a mostra teve sua abertura no IFSC São José em 13 de maio, data de assinatura da Lei Áurea, tradicionalmente associada à abolição da escravatura. No entanto, em São José, essa data tem sido ressignificada por movimentos negros e pelo poder público como um momento de reflexão sobre a "Abolição Inacabada", ampliando discussões sobre racismo estrutural e reparação histórica.
O município de São José tem se destacado nos últimos anos por promover uma série de ações culturais diretamente ligadas a essa temática. Eventos como o "Abolição Inacabada", realizado no Centro Histórico, e a exposição "Antonietas", do artista Rony Costa, que retratou mulheres negras marcantes para a memória josefense — incluindo Dona Alcina, a última lavadeira do Beco da Carioca — precederam "Bordados de Luta". Essa nova exposição se insere, portanto, como uma continuidade desse movimento crescente de valorização da cultura afro-brasileira e da memória das mulheres negras na cidade. O secretário de Cultura e Turismo, Toninho Silveira, enfatizou a relevância da iniciativa, afirmando que "o bordado é uma expressão de memória, cuidado e resistência. Essa exposição valoriza histórias que muitas vezes foram silenciadas e reforça a importância de reconhecermos o protagonismo das mulheres negras na construção cultural e social da nossa cidade."
Para complementar a experiência da exposição, o IFSC também promoveu uma programação paralela que incluiu a exibição e debate do documentário “Espelho, espelho meu”, de Elton Martins. Essa atividade adicional visou ampliar as discussões sobre identidade, representatividade e consciência racial, reforçando o caráter educativo e transformador da iniciativa. "Bordados de Luta" transcende a esfera de uma mera mostra artística, estabelecendo-se como um espaço vital de encontro, escuta e reconhecimento, onde cada linha bordada meticulosamente ajuda a tecer e resgatar histórias que atravessam gerações. A mostra permanece aberta para visitação gratuita até 3 de junho, de segunda a sexta-feira, das 9h às 12h e das 13h às 18h, na Sala 2 – Sr. Zequinha, na Casa de Cultura Nésia Melo da Silveira.

