A cidade de São José, em Santa Catarina, celebrou o encerramento da 174ª edição da Festa do Divino Espírito Santo nesta segunda-feira (18), marcando o fim de dias intensos de fé, cultura e tradição. O evento, que se estendeu pelo Centro Histórico, culminou com a aguardada Tainha Escalada e a última missa presidida por Dom Wilson Tadeu Jönck, arcebispo de Florianópolis. Milhares de moradores e visitantes participaram das celebrações, que reforçam a identidade cultural e religiosa do município, mantendo viva uma herança transmitida por gerações.

Durante o fim de semana e a programação final, a Festa do Divino se destacou pela forte participação comunitária. Cerca de 400 voluntários atuaram nos bastidores, garantindo o sucesso de atividades como a tradicional Divina Sopa, distribuída gratuitamente após as missas, simbolizando acolhimento e partilha. A emoção era palpável entre os frequentadores, como Dona Maria Júlia Silveira, de 81 anos, que, desde a juventude, acompanha a festa e hoje leva os netos, reiterando a importância da celebração na vida de muitas famílias josefenses.

As festividades contaram com uma agenda diversificada, incluindo missas, cortejos, apresentações culturais e encontros sociais. O tradicional Cortejo da Família Imperial, que percorreu as ruas do Centro Histórico, foi um dos momentos mais marcantes, preservando um ritual quase bicentenário. Padre Roberto, pároco da Igreja Matriz de São José, ressaltou o significado espiritual da celebração, enquanto o secretário municipal de Cultura e Turismo, Toninho da Silveira, destacou a festa como um símbolo da cultura local e da herança açoriana em Santa Catarina.

Considerada Patrimônio Imaterial do município desde 1851, a Festa do Divino Espírito Santo de São José tem suas raízes em Alenquer, Portugal, no século XIII, e foi trazida ao Brasil pelos açorianos. O prefeito Orvino Coelho de Ávila salientou a força da tradição no município, afirmando que a festa reúne fé, cultura e história, fortalecendo a identidade do povo josefense. O principal propósito da celebração, que atravessa séculos, é promover a paz, incentivar a caridade fraterna e consolidar a devoção ao Espírito Santo, unindo a comunidade em torno de valores perenes.