Uma fiscalização rigorosa em estabelecimentos de alimentação de São José, denominada Operação Gota Limpa, expôs um cenário preocupante quanto à qualidade dos azeites de oliva servidos à população. A ação, realizada em abril pelo Procon municipal em parceria com o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), inspecionou 24 locais, incluindo restaurantes, pizzarias e lanchonetes, e coletou 26 amostras para testes laboratoriais.
Os resultados, divulgados recentemente, indicaram que uma parte significativa dos produtos analisados está em desacordo com os padrões de identidade e qualidade. Quatro das amostras não puderam ser classificadas como azeite de oliva, com uma identificada como óleo composto e outras três apresentando fortes indícios de fraude, levantando suspeitas sobre sua real composição. Este achado é alarmante para os consumidores que acreditam estar consumindo um produto puro e de qualidade.
Das 20 amostras classificadas como azeite extravirgem, apenas uma atendeu plenamente aos requisitos de qualidade para consumo. As demais apresentaram problemas, sendo dez delas classificadas como azeite "lampante", uma categoria imprópria para o consumo humano devido a defeitos sensoriais acentuados. Tais defeitos, como ranço, mofo e fermentação, são frequentemente agravados por práticas inadequadas de manuseio e armazenamento.
O laudo técnico apontou que a principal causa para a degradação dos azeites está relacionada às condições de conservação. O reuso de galheteiros e refis sem a devida higienização, somado à exposição prolongada dos produtos à luz, calor e oxidação, compromete severamente a qualidade do azeite, transformando-o de extravirgem em lampante. O diretor executivo do Procon de São José, Maurício Barbosa da Silva, ressaltou a importância da operação para proteger os consumidores e conscientizar os comerciantes sobre a necessidade de práticas adequadas de armazenamento e higiene, visando garantir a autenticidade e qualidade dos produtos oferecidos.

