O Centro de Inovação e Tecnologia Educacional de São José (Citesj), uma unidade da Secretaria Municipal de Educação, realizou um importante encontro para debater o "Uso de Telas na Primeira Infância". A palestra foi direcionada a educadores e familiares das crianças atendidas pelo Centro de Educação Infantil (CEI) Professora Vera Lúcia Medeiros, localizado no bairro Forquilhas. O objetivo principal foi alertar sobre os impactos do uso de dispositivos eletrônicos no desenvolvimento infantil e apresentar estratégias para um uso mais saudável e equilibrado.

A atividade, conduzida por Luciana Schmitz, analista de sistemas e diretora administrativa do Citesj, trouxe recomendações específicas para diferentes faixas etárias, enfatizando a necessidade de preservar momentos cruciais para o desenvolvimento cognitivo e social das crianças. Josiana Nascimento, diretora do CEI, complementou a discussão ao ressaltar que o uso de telas não se limita a celulares, mas abrange também televisão e tablets, reforçando a amplitude do tema.

As orientações apresentadas seguem as diretrizes de órgãos como a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Organização Mundial da Saúde (OMS), que recomendam evitar telas para crianças de até 2 anos e limitar o uso a uma hora diária para crianças de 2 a 5 anos, sempre sob supervisão de um adulto. Luciana Schmitz destacou a importância vital dos primeiros anos de vida para o desenvolvimento da linguagem, coordenação motora e interação social, atividades que são potencializadas pela exploração do mundo real, brincadeiras e conversas.

Foram abordados também os possíveis prejuízos decorrentes do uso excessivo de telas, como distúrbios do sono, dificuldade de concentração e problemas na regulação emocional. A palestra incentivou a integração da tecnologia na rotina de forma equilibrada, sem que ela substitua as interações presenciais e as experiências diretas com o ambiente. O Estatuto da Criança e do Adolescente Digital (ECA Digital) também foi apresentado, detalhando as medidas legais para a proteção de crianças e adolescentes no ambiente online.

A participação ativa dos adultos foi apontada como um pilar fundamental nesse processo. Além de monitorar o acesso das crianças aos dispositivos, as famílias foram encorajadas a estabelecer limites claros para o uso, bem como a proteger a exposição de informações e imagens das crianças nas redes sociais. Sugestões práticas para a rotina familiar incluíram evitar telas durante as refeições e antes de dormir, incentivar brincadeiras livres, atividades artísticas e momentos de convivência familiar. O exemplo dos adultos, ao reduzir o próprio tempo de tela na presença das crianças, foi destacado como um fator influente na criação de um ambiente mais focado na interação e nas vivências cotidianas.

"A imagem e o tempo do seu filho pertencem a ele, não às redes sociais. Quando preservamos a infância no mundo real, garantimos o direito da criança escolher quem quer ser no futuro", ressaltou Luciana Schmitz. A iniciativa do Citesj se insere em um contexto mais amplo de ações voltadas ao uso consciente da tecnologia e à capacitação da comunidade escolar. "A tecnologia faz parte da vida, mas precisamos discutir como ela é utilizada e quais são os limites adequados para cada idade. Orientar as famílias e os profissionais da rede faz parte do nosso compromisso com o desenvolvimento integral das crianças", afirmou a secretária de Educação, Cláudia Macário.

A diretora do CEI, Josiana Nascimento, considerou a palestra "muito produtiva e reflexiva", destacando a oportunidade de orientar, escutar e dialogar com as famílias sobre estratégias aplicáveis em casa. "Cuidar da infância também significa olhar com atenção para o lugar que as telas ocupam na vida das crianças. Quando família e creche caminham juntas, transformamos informações em diálogo e diálogo em possibilidades para promover o desenvolvimento, o bem-estar e as aprendizagens das crianças", concluiu.